O Segredo da Reinvenção

A Reinvenção do Trabalho em Equipe é o segredo para a diferenciação em tempos de complexidade.

Por MARJORIE JONSSON

REINVENTANDO O TRABALHO EM EQUIPE: INTELIGÊNCIAS COLETIVAS.

Atualizado em 01/2019.

O cenário atual de complexidade e alta competitividade, com bens de consumo cada vez mais iguais e funcionários cada vez mais graduados, está chegando no ponto do refinamento da diferenciação. O trabalho em equipe virou commodity, e agora precisamos gerar inteligências coletivas.

Nesse novo cenário o trabalho em equipe se transformou de apenas uma habilidade e uma competência, para um transbordamento em uma inteligência coletiva

Trabalho em Equipe como Commodity:

O senso comum de se trabalhar em equipe fala sobre a capacidade de haver trabalhadores que dividem as tarefas, coordenando as ações pessoais com os colegas, conversando e fazendo combinações de maneira a juntos resolverem problemas para atingir os objetivos, missões e visões da organização.

Saber conviver em um ambiente organizacional, fazendo sua tarefa sem brigar com os colegas, com respeito, valorizando o trabalho do colega, sem precisar ser cobrado para entregar as tarefas, sem a duplicação de trabalho pela falta de comunicação, são hoje consideradas habilidades de trabalho em equipe.

O trabalho em equipe é geralmente comparado a um time de futebol, onde o técnico diz o que fazer, o jogador sabe seu lugar e faz sua função.

Líderes são equiparados nesse caso ao treinador, que é o tático e que geralmente possui uma quantidade mapeada, estudada e repetitiva de possibilidades táticas. Todo mundo sabe o objetivo: fazer gol na goleira do adversário – que geralmente está no mesmo lugar e do mesmo tamanho. Ganhar o campeonato – que tem todo ano da mesma maneira.

Aos jogadores as possibilidades são o preparo técnico, a capacidade de olhar melhor o todo durante o jogo, de passar e receber a bola no momento oportuno, armar jogadas, ser mais veloz, não levar cartões nem fazer faltas. Fazer sua publicidade pessoal, aumentar o passe, trocar de clube.

8 características do mercado de trabalho atual:

  1. Alta complexidade: muitos nichos de mercado, globalização, comunicação por BI (Business Intelligence), aplicativos, redes sociais, etc.
  2. Muitos bens de consumo: grande volume de tipos diferentes de bens de consumo, por exemplo o sabão em pó temos para roupas brancas, coloridas, remoção de manchas, cápsulas de perfume, líquido, em pó, com amaciante, etc.
  3. Pouca diferenciação: devido ao grande volume de possibilidades a diferenciação começa a passar despercebida pelo cliente.
  4. Alta competição: muitas empresas no mesmo nicho oferecendo soluções similares.
  5. Mercado Chinês: além disso o mercado chinês está fortemente ativo no Brasil.
  6. Vendas pela internet: Compramos de qualquer lugar do mundo.
  7. Acesso à informação: O cliente pode pesquisar e se tornar especialista no produto.
  8. Educação livre/barata na internet: o trabalhador pode estudar à distância de forma livre ou barata, reduzindo a percepção de diferenciação do diploma e ampliando a importância do “ser” e do “saber fazer”.

Esse novo cenário tensiona o trabalhador e a empresa a darem um passo adiante no desenvolvimento de capacidades mais sofisticadas.

Respeitar e valorizar o colega, entregar tarefas sem precisar ser cobrado, conversar e fazer combinações, ser amigável. Essas e outras habilidades que estão no senso comum atual do trabalho em equipe, continuam fazendo parte da etiqueta de convívio nas organizações, e agora a reinvenção do trabalho em equipe será um campo para a diferenciação da empresa e do trabalhador.

No cenário atual a metáfora do time futebol já não é mais suficiente, pois essa metáfora nos explica modelos hierárquicos piramidais de trabalho, com cargos fixos. Já uma inteligência coletiva é formada em modelos horizontais de papéis que podem variar de acordo com a relação com o mercado.

Além disso há outras limitações na metáfora do time de futebol (ou de qualquer esporte), que é o fato de as regras e os objetivos serem sempre os mesmos. Quando uma nova regra é acrescida, ou mudada, essa regra gera muita publicidade, pois até quem assiste o jogo precisa ficar ciente a respeito da mudança. São poucas regras e poucos objetivos.

Já em uma empresa o volume de regras é inacabável e, dependendo do nicho de atuação, elas mudam toda a semana, assim como os objetivos também. Então, nesse momento nos despedimos da metáfora do esporte para compreendermos o trabalho em equipe e a formação de uma inteligência coletiva.

3 características da Inteligência Coletiva para a Empresa:

  • Horizontal auto-organizada ao invés de hierárquica piramidal.

A Inteligência Coletiva demanda modelos circulares de gestão. A auto-organização acontece pela autonomia e responsabilidade que o modelo de governança estimula.

  • A intenção coletiva é ativada através do modelo de governança.

Se uma empresa de governança piramidal tentar gerar inteligência de grupo através de treinamento e condicionamento coercivo, o que irá acontecer é que o trabalhador ficará estressado, pois a governança aponta um modelo e o treinamento para outro modelo. O que o trabalhador fará nesse caso é manter o modelo original piramidal, respondendo dentro dos limites dos acordos velados que compõe a cultura organizacional da empresa. A inteligência coletiva demanda uma governança coletiva.

  • Estratégia pensada coletivamente.

Em um mercado onde há um alto volume de informação e mudanças constantes, o modelo piramidal terá uma fragilidade inerente e evidente: o pensamento estratégico é domínio de poucos. A departamentalização restringe as potencialidades das pessoas, e esse aspecto é substituído pelos papéis de cada um, de acordo com as necessidades e com a multiplicidade de visões que compõe o coletivo.

3 características da Inteligência Coletiva para o Trabalhador:

  • Autoconhecimento.

Essa é uma palavra indispensável nesse momento. Muito pelo fato de que as escolas e universidades seguem um modelo de educação industrial, piramidal, departamentalizado e individualista. Sendo assim, chegamos em 2019 tendo que desaprender para reaprender a fazer coletivamente. Sair do “eu” para o “nós” torna-se um desafio, onde precisamos mexer internamente a nível subjetivo para fundar as habilidades necessárias.

  • Liderança amigável, facilitadora.

Os líderes precisam ser hábeis em deixar a inteligência coletiva se manifestar, então quanto menos o líder conseguir interferir e colocar sua marca, melhor ele será. A liderança precisa ser hábil em fazer perguntas e facilitar o encontro, não em dar respostas.

  • Descolonização dos mecanismos de dominação e opressão intrínsecos.

O trabalhador que conseguir perceber a vasta cultura social de opressão e dominação que recebemos e perpetuamos, terá um diferencial em relação à capacidade de iniciativa e pensamento coletivo. A habilidade fundamental para sabermos nos relacionar reinventando o trabalho em equipe é a Escuta Gerativa, ou Escuta Apreciativa, e se estamos colonizados no modelo piramidal, sem ver outra possibilidade, então a tendência é que sejamos melhores em coordenar, orientar, dirigir, ler individualmente o cenário e às vezes delegar, ao invés de ouvir. Essas habilidades se tornam as grades de nossa prisão e não um ponto de partida.

Obrigada por fazer parte desse movimento. Vamos juntos reinventar a Governança e gerar culturas organizacionais mais adaptadas, onde todos possam florescer suas potencialidades.

Seguimos!

Marjorie jonsson.